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  • Matheus Brasilino

Sobre o Pacifismo

Hoje, falaremos sobre a paz.


Em meus escritos e discursos, sempre critico o pacifismo como um vício pós concílio, mas desta vez, gostaria de elaborar um pouco o argumento, para credibilizá-lo. Meu objetivo será simples: definir a verdadeira paz e expor os males da distorção da mesma, pois diferente de meus irmãos tradicionais, creio que esta sim é a mais degradante doutrina moderna impregnada nos templos e governos. Competindo ainda com o ambientalismo, que está em processo de inserção.


Uma vez expostas as motivações, seguimos diretamente ao argumento.

A paz, em sentido absoluto, é sinônimo de harmonia, ordem e comunhão. Santo Tomas afirma em sua obra “Sobre o Governo dos Príncipes”, que é o objetivo de todo rei. Seguindo o fluxo natural de todas as coisas, todo líder se ordena a paz e por conta disso, sua gestão sempre deve buscar harmonizar os interesses, ordenar os dons e ampliar a comunhão entre os subordinados.


Esse estado de união reflete parcialmente a glória dos céus, e cidadãos nesse período podem servir a verdade e o bem comum sem temer as ameaças provindas da violência, formando uma pátria digna, que por excelência, vai maximizar a salvação das almas. A paz verdadeira é também a consequência natural da honestidade e justiça. Se encontra na ausência da mentira e do egoísmo, deixando transparecer a santidade de um povo.

No entanto, a paz também pode se tornar um item de idolatria.


Aqueles que, por uma paz temporária, sacrificam a verdade e o bem comum, colhem apenas mais guerras. Quando um homem coloca a paz acima de todas as coisas, esboça sobre si uma espécie de covardia ou indiferença, que fere muito mais do que qualquer violência física. Não lutar por algo que se é digno de luta é como um pecado gradual, que corrói lentamente o coração e mata pouco a pouco a vontade, até que o indivíduo se corrompa totalmente, mesmo sem ter feito nada.


Muitos discordam de mim nesse ponto, afirmando que a igreja de hoje renegou a guerra de vez, então vamos um pouco mais além.


Que nos perguntemos: a guerra é um mal? Não adianta falar que é um “mal necessário”, pois somos católicos e cremos na santidade, logo, nenhum mal é necessário.

Na ciência política, existem 4 posturas possíveis referentes aos conflitos entre as nações: a postura jingoísta, a intervencionista, a neutra e a pacifista. As nações laicas e ateias geralmente adotam apenas uma postura e ficam nela para sempre, mas Deus, em sua infinita sabedoria, já usou de todas em diferentes períodos na história.


A postura jingoísta prega que devemos fazer guerra a todo tempo, porque todos os povos estrangeiros são nossos inimigos naturais e estão errados de maneira irremediável. Pressupõe uma dignidade única a pátria, que faz dos povos orgulhosos, sem sequer considerar a diplomacia. Toda paz jingoísta é falsa, porque é apenas um intervalo entre duas guerras.


O jingoísmo ganhou fama no tempo em que o protestantismo ainda era levado a sério. Afinal, a doutrina herética da predestinação fazia os povos protestantes se acharem superiores aos outros e literalmente lutar para exterminar as outras raças, sem sequer tentar convertê-los. A Inglaterra que deu o nome a doutrina, porque nela surgiu o partido dos “Jingles”, que idealizavam essa postura. Posteriormente, os Estados Unidos e a Alemanha também adotaram e sabemos bem no fim que teve.


Esse pensamento é condenável, pois todos devem conhecer a verdade e nunca devemos pressupor que alguém já está previamente perdido. Só existe um ente que consegue definir se alguém já se perdeu completamente ou não e é o próprio Deus. Se ele não der a ordem, é porque os inimigos ainda tem chance de salvação.

Mas e se eu lhes disser, que já houve um momento na história, em que Deus ordenou uma postura jingoísta?


No Velho Testamento, o povo hebreu teve de lidar com múltiplos bárbaros, que já estavam em posse de tantos pactos, com tantos demônios diferentes, que não importava qual ato se fizesse, eles não voltariam a luz. Deus, em sua legítima autoridade, os condenou previamente a morte, ordenando que não se tenha paz entre o povo escolhido e as nações pagãs. O sumo bem ordenou a pena de morte para crimes hediondos, de um povo inteiro, fortalecendo ainda mais o meu argumento sobre a questão.


Isso sem contar Sodoma, que foi destruída pelas próprias forças angélicas e o fato de que um dos nomes que damos ao criador é “Sabaoth”, ou “Senhor dos Exércitos”.

Podemos concluir que o jingoísmo pode, em determinadas circunstâncias, ser utilizado. E Deus só pode fazer e ordenar o bem, logo, a guerra não seria um mal.

A postura intervencionista prega que uma pátria só deve guerrear para defender interesses que sejam muito valiosos para si. É a postura do Maquiavel, sendo utilitarista, afirmando que os fins justificam os meios. Também muito utilizada na guerra fria, onde as potências dominantes faziam guerras para defender os interesses de seu bloco ideológico, seja ele capitalista ou comunista.


Se a colocar sobre a balança, poderá pensar que ainda é pior do que o jingoísmo, porque no fim, faz os homens se matarem por coisas baixas, como poder e dinheiro. A vida humana é de fato, mais valiosa do que essas coisas e por conta disso, que o progressista afeminado muitas vezes ganha forças no debate. O seu choro sobre as vidas perdidas, para defender os interesses dos poderosos tem impacto nos corações e mentes e seria louvável, se ele também não estivesse errado.


Na Idade Média, as nações católicas adotavam a postura intervencionista, mas de modo diferente. Adotavam a doutrina que Santo Agostinho chamavam de “Guerra Justa”, que em resumo, é lutar apenas pelo que se é certo. Um rei católico estava autorizado a invadir outro país se seu objetivo fosse disseminar a fé católica e converter as almas, também poderia fazer guerras contra reis corrompidos que eram excomungados pelo Papa. Se não tivesse nenhum dos dois motivos, tinha que ir a Roma e levar a questão aos cardeais, para que antes de lutar, tentasse resolver pacificamente.


E ainda chamam de “era das trevas”. A ONU hoje tenta ser a nova “igreja” das relações internacionais, só que não em nome de Deus, mas sim, pela sua “mãe terra”, ou por “Sofia”, que já sabemos, no fim das contas, quem realmente é. (se não sabe, vai ler sobre os inimigos da humanidade, está neste site)


Mas enfim, a postura intervencionista pode e deve ser usada para maximizar a salvação das almas, santificando a guerra, como instrumento dos céus no mundo.

A postura neutra é o senso comum, só faz guerra quando somos atacados, não se precisa de comentários adicionais.


A postura pacifista se é mais complicada. Ela foi utilizada na igreja primitiva e nos tempos de domínio babilônico sobre os hebreus, onde Deus ordenou explicitamente para que se abaixassem as armas e servissem. No entanto, não devemos confundir as coisas. O criador sempre prometia uma retaliação, porque no fim das contas, a paz injusta é contrária à natureza humana.


Hoje, muitos pensam que a paz e servidão da igreja primitiva deveria ser o estado natural da cristandade e usam disso como desculpas para serem inúteis, passivos e preguiçosos, sem fazer oposição a nada e nem a ninguém. Se esquecem que os cristãos primitivos eram martirizados e sua luta era interna.


Eles deveriam morrer na mão dos romanos para mostra-los uma grandeza que a vida ainda não os apresentara. E deveriam morrer por amor, para que Roma, que desprezava os povos bárbaros mais do que qualquer um, pudesse se tornar cristã um dia, despertando seu verdadeiro potencial. Esse é o pacifismo que Deus pediu e o único que se é legítimo: o pacifismo onde você morre, para converter o vilão, e mostra-lo um amor que o mesmo ainda não teve ou potenciais dele, que o mesmo nem sabia que existia. Sobre o sangue dos mártires, o cristianismo converteu Roma, com o imperador Constantino finalmente encerrando esse estado de calamidade e terminado esse doloroso pacifismo.


Concluo então, que se você prega pacifismo, mas ainda não morreu ou sequer sofreu um atentado, então é apenas um covarde mesmo, defendendo seu próprio conforto.

Todas as nações hoje pregam o pacifismo, mas é porque elas renegaram a Cristo e estão tentando conformar os bons ao governo corrupto que aqui está e preparando-os para o que ainda virá. Se cairmos nesses discursos, perderemos nossa pátria e nossas almas.


Mediante a tal realidade, fortifica-se ainda que guerra não é um mal em si mesmo, mas apenas mais uma ferramenta em prol dos planos do criador.


Sei que a essa altura, se ainda está lendo, e for mais emocional, pode estar pensando, “ain, mas e as lágrimas e as perdas”, ou até, “ain, você fala isso porque nunca foi a guerra”. E para esses, vou aprofundar ainda mais o argumento.


Uma questão semântica é confundir “guerra” com “crimes de guerra”. Um é consequência do outro, mas ambos não são a mesma coisa.


Um crime de guerra acontece quando um combatente fere ou abusa de um não combatente, seja ele civil ou prisioneiro. Este sim, é um ato intrinsicamente mal, pois mesmo o pior dos homens, ao se render, precisa ser poupado. Mesmo que seja condenado a morte, ele ao baixar suas armas precisa ser julgado antes da execução. Isso é importante por conta de o arrependimento ser um fator fundamental para a salvação das almas. E com os civis, creio que nem precisa elaborar muito, é de senso comum que devem ser poupados sobre toda a circunstância.


Ainda assim, para diferenciar bem a guerra, dos crimes que a cercam, gostaria de relatar sobre a origem do termo literário “vilão”.


Conta-se que na Idade Média, em tempos de guerra, sempre havia de ter um vigia nas torres ou muros das cidades, para anunciar, como que um alarme, em caso de invasão. Ele também sempre anunciava o “tipo” de combatente que deveriam enfrentar.


Se ele, ao soar o alarme, anunciava que os templários entrariam na cidade, todos se tranquilizavam. Afinal, os templários eram puros, eram combatentes da igreja e juramentados a Deus, como se fossem padres com armas, então seja lá o que acontecesse, se era esperado o mínimo de baixas entre civis. Se anunciasse que eram tropas de algum nobre, uma pequena preocupação pairava, pois sabia-se que o nobre não ia arruaçar com uma cidade que ele quisesse dominar, afinal, era ele que faria a gestão depois. Mas ainda assim, um crime ou outro poderia acontecer.


Se anunciasse, por outro lado, que seriam atacados por mercenários, havia um medo generalizado. Mercenários só servem ao dinheiro e ao prazer, então não se limitariam pela moral e atacariam os civis indiscriminadamente, até alcançar certa saciedade material.


No entanto, se anunciasse que seriam atacados por vilões, o pânico se manifestava.

Vilão vem de “vila”, e essas unidades eram compostas de reservistas, ou seja, aqueles que o nobre chamava, quando não tinha mais ninguém para lutar. Eram, em resumo, pobres com armas e prontos para matar.


O plebeu, que passou a vida inteira servindo e em pecado, ao receber a ordem de invadir uma cidade, ganha uma autoridade que nunca teve e nunca mais terá. Ele se envaidece, pois recebe um ranking que não merecia e vai usar dele para saciar uma fome que nunca termina, algo consequente de uma vida inteira de devassidão e erros morais. Logo, se uma unidade de vilões entra em uma cidade cheia de civis, é de se esperar que todos sejam atacados e violentados da pior forma possível. O vilão muitas vezes chega a ser pior do que o bárbaro, e por conta disso, o termo se popularizou para descrever as pessoas más.


O ponto que quero chegar com isso é que muitos falam que só se conhece o homem dando poder a ele. Eu não penso assim. Acho que o homem só se revela de verdade em combate. Se ele é bom ou mau, se ele é santo ou ímpio, se ele é bravo ou covarde e até mesmo se é inteligente ou estúpido. O fato de a morte ser uma possibilidade real, coloca a todos os homens em uma tensão única e a possibilidade de vitória, em uma posição de autoridade também exclusiva da ocasião. Mediante a isso, quanto mais católica for uma sociedade, mais santas serão as suas lutas e menos crimes de guerra ocorrerão.


O campo de batalha para o bom católico, é campo de santificação: a fome, a tristeza, a saudade do lar, o idealismo, o amor à pátria, desprezo ao mal, além de todas as feridas e desgastes são a penitência perfeita ao homem, que o levam ao seu ápice, fazendo-o desprender das ilusões do mundo e buscar as coisas do alto. Para o descrente, o campo de batalha é o inferno e por conta disso, ele se deixa moldar pelas condições temporais, cometendo os mais hediondos atos e morrendo em amargura.


A guerra é desprezada hoje em dia, porque ela nos mostra quem realmente somos, e o progressista odeia isso, porque ele odeia a si mesmo. Ele é como um homem querendo ser mulher, ou como um adulto querendo ser criança e quando alguém cogita a possibilidade de morrer pelos seus valores, ele entra em pânico.


Logo, é perfeitamente possível fazer a guerra, sem deixa-la destruir o espírito, e por conta disso, não devemos condená-la, mas sim separá-la dos crimes de guerra, que são o verdadeiro mal.


Por último, vão ter aqueles que articularão teologicamente que Cristo afirma a Pedro que “quem vive da espada, pela espada morrerá”.


Isso, de fato, é um axioma, mas deve ser bem interpretado. “Viver pela espada” significa idolatrar a guerra, ou achar que tudo se resolve pela força e violência. O apóstolo, no contexto, queria impedir o sacrifício de Jesus em prol de um emotivismo pessoal de não permitir a morte do mestre. Se fosse bem sucedido, teria condenado a humanidade inteira, pois sem a crucificação, não se existiria cristianismo. Não podemos esquecer também da passagem em que Cristo afirma com todas as letras, que não veio trazer a paz, mas sim a espada, (Mateus 10/34-39) e que usou de violência para defender o templo das articulações dos mercadores. (Mateus 21/12)


Cristo é o maior dos combatentes e na sua segunda vinda, vira lutar a maior das guerras, sobre os campos de Armagedon.


E gostaria ainda de ir mais além no argumento e colocar uma reflexão própria.

Penso que umas das principais diferenças entre o homem e a mulher em termos de natureza é que justamente o homem foi feito para lutar, enquanto a mulher, para cuidar. Tudo no homem, desde a sua estrutura física, até a psicológica/espiritual, está voltado para a guerra. O que diferenciaria um homem do outro seria o tipo de guerra em que lutará. Alguns lutarão fisicamente, outros intelectualmente e alguns espiritualmente. Sou da opinião teológica de que quando em Genesis, se é descrito que Deus colocou Adão no Eden para cultivar e guardar o jardim, estava sendo bem literal. O homem então teria como função divina cultivar as virtudes, representadas pelos frutos celestiais, assim como guarda-las, fazendo guerra, contra seja lá quem queira destruí-las. Por isso a serpente optou por abordar Eva, que não recebeu essas ordens.


O campo de batalha entre os países então seria o ápice do homem, pois usa de todas as vocações: infantes, sargentos, engenheiros, filósofos, médicos, sacerdotes, comunicadores, líderes, para triunfar em união comum, contra um mal maior. É na guerra, onde o homem de fato é feliz, e por isso, um veterano, quando volta bem de uma das frentes, se torna o mais ávido nacionalista e o mais competente dos cidadãos.


Nossa sociedade hoje é afeminada, e como a natureza da mulher é cuidar, isso se reflete em nossos valores distorcidos. Todo mundo fica hipersensível, se ofende fácil e quer ser paparicado pelas autoridades. Quando o governo faz besteira, ao invés de explodirmos o parlamento, vamos as ruas fazer “grevezinha”, como crianças mimadas, gritando aos corruptos para que realizem nossas vontades. As religiões não disputam mais qual é a certa, mas sim, qual ofendeu mais qual e qual violou os “direitos religiosos” de outra.


A igreja resiste, mas justamente por conta disso, querem fazer das mulheres como sacerdotes e o pacifismo é o primeiro passo para isso.


De consequência, o homem que não luta e está imerso em pacifismo, torna-se vazio. Costumo dizer que os animais domesticados são em fato, desgraçados, pois estão retirados de sua verdadeira natureza, para servirem de “bonecas” ou “pets”. Em analogia, assim também é com o homem pacifista, preso em seus empregos comuns e não lutando por nada. Os pets caninos são felizes apenas quando perseguem um carro ou outro cão: correndo, latindo e esbravejando, simulando, nem que por alguns segundos, a sua verdadeira natureza. Assim também é com o homem pacifista, que não grita mais por sua pátria, mas vibra assistindo ao futebol, fazendo do esporte, sua simulação de batalha.


Assim como a pornografia é uma simulação pecaminosa do sexo, o futebol é uma simulação pecaminosa da guerra.


E dessa simulação, surgem as torcidas organizadas, que vão se matar entre si, por nada. Os que não gostam de futebol, vão atrás da violência esquecida por qualquer outra causa fútil, sejam em gangues, tribos, partidos, ideologias ou mesmo na infeliz violência doméstica. Por fim, aqueles que reprimem a violência até o ultimo, hora ou outra, morrem do coração ou infarto, por terem guardado tudo para si e não feito oposição a nada. Não sem antes se afundar em mais pecados, para tentar esquecer da realidade. Ou ficar preso para sempre na “cultura nerd”, idolatrando personagens que fazem o que ele deveria fazer.


Tudo isso provém da falta de guerra e tende a piorar.


Para minimizar os efeitos, eu diria que a solução seria uma dose de violência mínima a cada homem, que pode ser adquirida felizmente pela cultura ou pela prática das artes marciais. Lembro do tempo em que a mídia acusava os jogos de videogame por aumentarem a violência, mal sabendo que é justamente o contrário. Hoje, os jogos são todos coloridinhos e afeminados, mas os jovens nas escolas americanas se matam mais do que nunca.


E justamente por conta disso, devemos rejeitar o pacifismo em toda sua escala. É um dos quatro males pós conciliares, que visam piorar a situação, e degradando mais e mais os ambientes que deveriam trazer a redenção. Que reconsideremos nossos discursos e ensinamentos, para sermos cada dia mais combatentes em nome das forças dos céus e possamos com isso, cumprir nossas vocações, em nossas respectivas lutas.

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