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  • Matheus Brasilino

Poética: Porta dos Céus

Atualizado: 19 de nov.

Está frio e escuro

Resquícios de luz, seguro.


Em casa, nos trancaram.

Por segurança, nos isolaram.

Mas pela fé, alguns escaparam.

Tem uma brecha na estrutura.


Perdido em telas e áudios.

E pelos falsos profetas e sábios.


Passei pelas mentiras,

Pelas dores e pelas miras.

Busquei redenção.

E encontrei a ti.


Então o senhor é o Messias que tanto professam como rei.

Muito mais humilde do que imaginei, mas a ti servirei.


Buscarei suas luzes.

Por essas trevas e cruzes.

Se minha memória não me ilude.

Essa é a minha primeira peregrinação.


Então desperte meus dons.

Estou alienado pelos sons.

E pelas luzes de neons.

Perdemos tempo nestes tons.

Me encaminhe ao que é bom.

Seja meu guia, no armagedon.

Sobre as trilhas do silêncio, apenas com.

A salvação, a minha espera, no alto de Sião.


“Você não terá nada e será feliz”.

“Fique em casa, salve vidas”.

“Novo método de dinheiro”.

“Justiça Social e Crédito Social”.


Para as pobres almas que habitam, nestas discretas prisões.

Só resta a miséria, para seus pobres corações.

A esperança deles, está nas suas aparições.

Ou se perderão no vazio, de seu mundo de ilusões.


As portas dos céus serão abertas para mim?

Essas portas serão abertas?

As portas dos céus serão abertas para mim?

O senhor as abrirá?


Eles falam de liberdade, para ser feliz.

Mas como ser livre, sem a verdade que condiz?

Em perpétua servidão, em círculos andamos.

Em prédios/cemitérios cinzentos, onde padecemos como podres ramos.


Nos voltamos a ti.

Com nossa multidão de pecados.

Raça condenada.

De tantos inimigos, cercados.


Buscando seus sinais.

Lendo seus ideais.

Rejeitamos toda a paz.

Em busca de uma nova realidade.


Comparado a ti, somos como poeira em plano astral.

És a prova definitiva, que a inteligência não é artificial.

Nos deu tanto e não enxergamos.

Buscamos gloria e degradamos.

Sempre erramos e nos matamos.

Sem conseguir nada consertar.


E ainda nos consideramos livres.

Somos servos cegos.

Ficaremos à mercê destas tristes ilusões?

Ou, de algum jeito, nossas almas nos conduzirão a grandeza, para se alcançar os sagrados portões?


Sobre a noite, sobre o frio.

Acendeu-se o pavio.

De esperança, como um fio.

E então clamamos de modo hostil.


Que nos tire desse jogo, nos liberte do mundo doentio.

Que nossas mentes quebradas, sejam curadas, de pobre civil.


Se sua misericórdia é infinita, então talvez por isso tenha vindo.

E tem nos perturbado, de modo gentil, sempre sorrindo.

Isso significa que seremos perdoados e nos dará uma nova chance?

Ou é apenas para entendermos nossas falhas, antes que nosso extermínio avance?


Se a esperança não é real, então como ainda sonhar consigo?

Por que ainda me movo, em defesa de um credo tão antigo?

E na face do inimigo.

Ou do mais certo perigo.

“Avançar”, eu digo.

E sou feliz, mesmo sem abrigo?


Passamos nossas vidas inteiras sendo enganados.

E nossas almas clamavam por uma redenção maior ao lado.

E agora que encontramos, que finalmente lhe encontramos, com que força defenderemos a tudo isso?

Ah...meu tempo acabou.


“Extremistas agindo, precisam ser contidos pela lei.”

“Mesmo nos tempos de hoje, ainda tão retrógrados.”

“Que seja feita a vontade do povo.”

“Repressão sistêmica a todos os dissidentes”.

“Basta renegar seus valores e terá todo o conforto”.

Para as pobres almas que habitam, nestas discretas prisões.

Só resta a miséria, para seus pobres corações.

A esperança deles, está nas suas aparições.

Ou se perderão no vazio, de seu mundo de ilusões.


As portas dos céus serão abertas para mim?

Essas portas serão abertas?

As portas dos céus serão abertas para mim?

O senhor as abrirá?


Então peregrine pela luz.

Peregrine pelo caminho

Peregrine sobre as trevas.

Peregrine pelos que estão sozinhos.

Peregrine para longe de toda segurança e conforto.

Peregrine até nos salvar, até corrigir nossos corações tortos.

Peregrine pelo fim, peregrine para novos começos.

Peregrine por um futuro sem novos tropeços.

Peregrine para curar as feridas dos avessos.

Peregrine para ser o muro que protege os indefesos.

Peregrine por uma causa, peregrine por uma chance.

Peregrine pelos que são inúteis, peregrine para que os bons avancem.

Peregrine até o ultimo de nós alcançar os céus.

Peregrine até o maior dos pecadores se arrepender como réu.

Peregrine pelos campos, pelas grandes cidades.

Peregrine pelos anciões, pelos jovens de pouca idade.

Peregrine pelas telas, peregrine na realidade.

E peregrine pelo sonho de salvação, para que as portas dos céus, se abram em magnanimidade.

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